UROLOGISTA RESPONDE 7 PERGUNTAS PARA VOCÊ ENTENDER E SE PREVENIR CONTRA AS ISTS – INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS
Conhecida como ISTs, infecções sexualmente transmissíveis, continuam no topo de maior transmissão e requerem tratamento especializado. O uso do preservativo em todas as relações sexuais — vaginais, anais e, sempre que possível, orais -, continua sendo a principal forma de proteção
Algumas infecções sexualmente transmissíveis – as chamadas ISTs – são sinais de alerta, sobretudo o HPV, a mais frequente no mundo, seguida pelo vírus do herpes e, entre as infecções bacterianas, a clamídia. Certas medidas são fundamentais.
O uso do preservativo em todas as relações sexuais — vaginais, anais e, sempre que possível, orais, continua sendo a principal forma de prevenção, devendo ser associado ao uso de lubrificante, que ajuda a reduzir microlesões e o risco de transmissão. De acordo com o urologista, Dr. Julio Zonzini, o preservativo é altamente eficaz quando a transmissão ocorre principalmente por meio de fluidos corporais, como sêmen, secreções vaginais e sangue.
“Oferece proteção elevada contra infecções como HIV, gonorreia, clamídia, sífilis, tricomoníase, ureaplasma, micoplasmas e hepatite B — sendo que, neste último caso, a vacinação a principal forma de prevenção e o preservativo atuando de forma complementar. Manter as vacinas em dia, especialmente contra HPV e hepatite B, é outra medida essencial de proteção. A testagem periódica, conforme o risco e a orientação médica, também é importante, já que muitas ISTs podem evoluir sem sintomas”, diz o médico.
O especialista, que também Coordenador do Departamento de Urologia Geral/IST da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, adverte que, em caso de exposição sem proteção, é fundamental procurar rapidamente um serviço de saúde ou centro especializado, pois existem estratégias de prevenção em casos específicos, como a profilaxia pós-exposição (PEP) para o HIV, que deve ser iniciada dentro de uma janela de tempo adequada.
Além disso, é importante destacar que muitas ISTs podem ser assintomáticas, permitindo que a pessoa transmita a infecção sem saber. Tanto homens, quanto mulheres podem adquirir e transmitir essas doenças por meio dos genitais, mesmo na ausência de sintomas, reforçando a necessidade de prevenção em todas as relações. A pessoa pode estar infectada e transmitir a doença sem saber. Por esse motivo, a prevenção, o uso consistente do preservativo e a busca por avaliação médica em situações de risco são fundamentais. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:
- Corrimento uretral ou vaginal, ardor ao urinar, coceira e dor pélvica.
- Feridas ou úlceras genitais, verrugas, bolhas, dor durante a relação sexual e sangramentos fora do período menstrual.
- Dor ou inchaço testicular, dor anal, secreção ou sangramento retal, além de dor de garganta após sexo oral.
- Manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, febre e ínguas, que podem ocorrer, por exemplo, na sífilis.
Alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento médico de forma mais rápida:
- Dor pélvica intensa, febre e mal-estar importante, que podem sugerir doença inflamatória pélvica.
- Dor ou aumento de volume nos testículos.
- Feridas genitais que não cicatrizam.
- Gestantes com suspeita ou diagnóstico de IST.
Abaixo, as principais dúvidas sobre o assunto, como sintomas, tratamentos e impactos casos as ISTs não sejam tratadas:
1 Quais são as principais vias de transmissão das infecções sexualmente transmissíveis?
- Relações vaginais, anais e orais, com ou sem penetração, dependendo do agente infeccioso.
- Contato direto entre os genitais, região anal, oral e mucosas, incluindo o pênis, a vagina, a vulva, o ânus e a boca, o que é especialmente relevante para infecções como HPV e herpes.
- Contato pele a pele em áreas íntimas, mesmo sem troca de fluidos.
- Exposição ao sangue, como ocorre em infecções como HIV e hepatites virais.
- Transmissão vertical, da mãe para o bebê, em situações específicas durante a gestação, parto ou amamentação.
2. Quais são as formas de proteção atualmente, também contra gravidez?
Existem opções altamente eficazes para a prevenção da gravidez: como DIU, implantes hormonais, pílulas e injetáveis. No entanto, esses métodos não protegem contra ISTs. Por esse motivo, para uma prática sexual segura, o preservativo externo ou interno continua sendo fundamental, devendo ser associado à vacinação contra HPV e hepatite B, além da realização de testagens periódicas, conforme a indicação médica.
É verdade que houve uma queda acentuada de nascimentos na adolescência, em contrapartida aumentou o número de nascimento em mulheres acima dos 40 anos. Os nascimentos entre adolescentes caíram fortemente desde 1990, e talvez isso explique a mudança importante no perfil reprodutivo.
3- E os impactos casos as ISTs não sejam tratadas?
Em geral, não é prudente esperar que uma infecção sexualmente transmissível “desapareça sozinha”. Algumas ISTs podem até apresentar períodos com poucos ou nenhum sintoma, mas muitas podem persistir no organismo e evoluir com complicações ao longo do tempo, quando não são tratadas adequadamente.
No caso do HIV, o início precoce da terapia antirretroviral é fundamental, pois permite controlar a infecção, preservar o sistema imunológico, reduzir complicações e impedir a transmissão. Quando o tratamento é iniciado tardiamente, há maior risco de infecções oportunistas, internações e pior qualidade de vida.
Por isso, o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico e o tratamento adequado são essenciais para evitar sequelas e garantir melhores resultados a longo prazo.
Entre as principais consequências estão:
- Infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, especialmente em casos não tratados de clamídia e gonorreia.
- Complicações na gestação e no recém-nascido, como ocorre, por exemplo, na sífilis congênita.
- Cânceres associados ao HPV, como os de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, além do impacto psicológico e social das lesões.
- Comprometimento da saúde geral em pessoas vivendo com HIV, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento são tardios.
4- Qual é a IST mais comum entre mulheres e homens?
- De forma geral, o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum ao longo da vida sexual, acometendo mulheres e homens em frequências semelhantes. Em seguida, destaca-se o vírus do herpes, e, entre as infecções curáveis, a clamídia figura entre as mais frequentes.
- A clamídia merece atenção especial por ser frequentemente assintomática, o que favorece sua transmissão silenciosa e o diagnóstico tardio.
- Existe, na população em geral, a percepção de que as mulheres estariam mais expostas às ISTs, especialmente pela forte associação do HPV com o câncer do colo do útero. No entanto, é fundamental reforçar que ambos os sexos estão igualmente expostos ao risco de infecção.
- Atualmente, observa-se também um aumento dos cânceres de orofaringe associados ao HPV, principalmente em homens, relacionados à transmissão por meio do sexo oral, o que evidencia que o impacto dessas infecções vai além do sistema genital feminino.
- Por esse motivo, as estratégias de prevenção, vacinação, diagnóstico precoce e acompanhamento médico devem ser igualmente valorizadas por mulheres e homens.
5- O tratamento das infecções sexualmente transmissíveis depende do agente causador da doença?
As ISTs de origem bacteriana e parasitária, como clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase, são, na maioria dos casos, curáveis, desde que tratadas corretamente com antibióticos ou antiparasitários, conforme a orientação médica.
Já as ISTs virais, como herpes e HIV, em geral não têm cura definitiva, mas podem ser controladas de forma eficaz. No caso do herpes, o uso de antivirais reduz a frequência e a intensidade das crises. Para o HIV, a terapia antirretroviral permite controlar a infecção, preservar a imunidade e garantir qualidade de vida, além de reduzir a transmissão.
Em relação ao HPV, o tratamento é direcionado às lesões causadas pelo vírus, como verrugas, lesões subclínicas e alterações precursoras de câncer. A principal forma de prevenção é a vacinação, que reduz de maneira significativa o risco de infecção e de complicações futuras. A vacina também é fundamental na prevenção da hepatite B.
6- Após o tratamento: é necessário abstinência ou é possível retomar a vida sexual com proteção?
De modo geral, a recomendação é evitar relações sexuais até a conclusão do tratamento e a completa melhora dos sintomas, além de garantir que os(as) parceiros(as) também sejam avaliados e tratados, quando indicado. Essa conduta é fundamental para prevenir a reinfecção e interromper a cadeia de transmissão.
No caso de muitas ISTs bacterianas e parasitárias, como as uretrites causadas por clamídia, gonorreia, micoplasma, ureaplasma e tricomoníase, orienta-se aguardar um período mínimo após o término da medicação — geralmente em torno de sete dias, dependendo da infecção e do esquema utilizado — antes de retomar a atividade sexual.
Esse intervalo é importante para garantir a eliminação do agente infeccioso e reduzir o risco de transmissão e reinfecção. Além disso, é importante não reiniciar as relações antes que o(a) parceiro(a) também tenha sido adequadamente tratado(a), mesmo que o paciente já esteja sem sintomas.
7- Existe alguma faixa etária com maior incidência de ISTs?
Adolescentes e adultos jovens concentram uma parcela significativa dos casos de infecções sexualmente transmissíveis. Isso ocorre, principalmente, pelo início da vida sexual, maior rotatividade de parceiros e uso nem sempre consistente do preservativo. No entanto, é importante ressaltar que as ISTs também estão presentes em outras faixas etárias. Atualmente, observa-se um segundo pico de casos entre adultos mais velhos, especialmente a partir da meia-idade e na terceira idade. Por esse motivo, a prevenção, a testagem e a orientação em saúde sexual devem ser mantidas em todas as fases da vida.






