O ESTREITO DE ORMUZ: ESTAMOS TODOS PRESOS NELE – RABINO DOVI GOLDBERG

O Estreito de Ormuz…

O mundo inteiro está girando em torno dele.

Um verdadeiro engarrafamento global no meio do mar.

Estão chamando isso de “o gargalo do mundo”.

Eu sei que a gente adora falar de política, guerra, ação…

Mas hoje quero falar algo mais profundo. Uma pequena “Torapia”.

A Cabalá nos ensina que cada um de nós também tem o seu próprio “Estreito de Ormuz”. Um lugar pequeno e apertado dentro da gente… onde as coisas ficam presas.

Você tem ideias lindas.

Sabe o que é certo.

Se inspira num Shiur, num Shabat, num momento especial…

E depois?

Nada anda.

É como se o cérebro enviasse uma mensagem incrível… e o coração respondesse: “falha no envio”.

Existe um bloqueio. Um gargalo.

A gente entende que precisa se cuidar mais, comer melhor, mudar hábitos… dormir mais cedo… largar o celular… ter mais paciência… O médico já explicou tudo.

A gente sabe. A gente entende. Mas não desce. Há um “estreito” no meio do caminho.

É um dos maiores desafios da nossa vida.

Na Cabalá isso se chama Meitzar HaGaron, o “Estreito da Garganta”.

É o engarrafamento que existe entre a cabeça e o coração.

Quando colocamos o tefilin pela manhã, colocamos um na cabeça e outro perto do coração.

É um exercício diário para criar essa conexão, para trazer equilíbrio.

Para abrir esse canal, precisa de muita ToraPia… estudar, orar, meditar.

A Cabala diz que o segredo está na voz. Você pode amar alguém de todo o coração, mas quando você fala sobre esse amor, quando coloca em palavras, é aí que a emoção ganha força. Você pode decidir que vai começar a se exercitar, mas quando você diz isso em voz alta, conta para alguém, fica muito mais fácil de cumprir.

A parashá desta semana alerta da importância da fala.

Quando usamos a voz para o bem, para falar positivo, para abençoar, para encorajar… estamos abrindo uma faixa no nosso “Estreito de Ormuz” pessoal.

E aí outras áreas da vida também começam a se abrir. Porque o maior engarrafamento do mundo não está no mar. Está entre a nossa cabeça e o nosso coração.

E às vezes, abrir um pequeno espaço…

Já é o suficiente para um mundo inteiro começar a fluir.


RABINO DOVI GOLDBERG – Sinagoga do Morumbi – São Paulo/Capital

dg@chabadmorumbi.org.br