CONIB EM AÇÃO CONTRA O ANTISSEMITISMO

– Lançamento do Relatório sobre Antissemitismo no Brasil 2025

– Reforçando em Brasília necessidade de estratégia estruturada contra o antissemitismo

– Parceria GDF-CONIB fortalece proteção à comunidade judaica e ações de enfrentamento ao discurso de ódio


CONIB lança Relatório sobre Antissemitismo no Brasil 2025

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) lançou, nesta segunda-feira (30/03), o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025 — o mais abrangente já produzido no País – que mostrou uma alta no número de casos de preconceito contra judeus registrados no país. Foram 989 em 2025, representando uma alta de 149% em relação aos 397 casos registrados em 2022, antes do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 contra Israel.

O lançamento reuniu em dois eventos seguidos jornalistas, autoridades, educadores, operadores do Direito, forças públicas e lideranças comunitárias.

Joana Zlot, Head de Comunicação da CONIB, apresentou os eventos; no auditório do C6, Claudio Lottenberg (foto), presidente da CONIB, destacou o histórico da instituição na luta contra o antissemitismo: “Esse é um legado importante, estruturante da atual gestão da CONIB, mas que começou lá atrás, com Fernando Lottenberg na presidência da instituição, a quem eu tenho muito orgulho de anteceder e depois suceder”. Destacou também o trabalho e a dedicação de outros nomes da diretoria que atuam diretamente no combate ao antissemitismo.

Claudio Lottenberg enfatizou o que espera deste relatório: “Espero que ele surpreenda. Não pela magnitude dos números, embora ela seja real e grave. Mas pela profundidade da análise. Pela precisão com que ele mapeia como o ódio se organiza, como ele se propaga, como ele atravessa fronteiras em tempo real e como ele produz consequências concretas no cotidiano de pessoas reais. Este não é um relatório para ficar na prateleira. É um instrumento de vigilância democrática. De responsabilidade institucional. De resposta organizada a um fenômeno que não pode ser tratado com improvisação. Porque o antissemitismo, como Esther me ensinou, não avisa quando chega. Ele se instala aos poucos. Na tolerância à mentira. Na indulgência diante da agressão. Na aceitação silenciosa da intimidação. E quando uma minoria precisa se habituar ao medo para preservar sua vida comunitária, o problema já não é da minoria. É da democracia. É do Brasil”.

Rony Vainzof (foto), secretário da CONIB, destacou o trabalho conjunto da CONIB para a elaboração do relatório com as federações de estados brasileiros e com as instituições ECOA, StandWithUs Brasil, Memorial do Holocausto de São Paulo, Museu do Holocausto de Curitiba. Citou dados e casos de antissemitismo no País. “O antissemitismo no Brasil não recuou, ele se normalizou. Infelizmente esse é o novo normal”, destacou. Vainzof também falou sobre o Marco Civil da internet. Lembrou que antes as plataformas só poderiam ser responsabilizadas judicialmente se houvesse uma ordem judicial para isso e se essa determinação fosse descumprida. E nesse caso a CONIB atuou como Amicus Curia (Amigo da Corte) tentando contribuir para reformular esse artigo do Marco Civil da internet.

A pesquisadora Anelise Froes destacou a importância da pesquisa pelo seu alcance intercomunitário, citando vários dados obtidos em parceria com instituições, inclusive junto ao ECOA sobre antissemitismo em ambientes corporativos.

Andrea Vainer, diretora do jurídico da CONIB, destacou o “trabalho feito a muitas mãos”. “Vivemos um momento histórico em que as coisas mais óbvias acabam se tornando polêmicas e algumas mentiras repetidas muitas vezes chegam a parecer verdades”. “Mas é importante destacar que o antissemitismo no Brasil constitui crime de racismo. E a lei que nos ampara nesse sentido é a lei 7716, de 1989. O Brasil tem toda uma lógica constitucional para punir o racismo de forma geral. E um dos pilares de nossa República é o combate ao racismo e ao terrorismo”.

Na sequência, um grupo de especialistas, sob a moderação de Rony Vaizof, abordou temas relacionados ao antissemitismo. Paula Puppi, diretora voluntária da CONIB, falou sobre Estratégia a Comunicação no ambiente digital; Iná Jost, responsável por Políticas Públicas do Youtube, abordou a moderação de conteúdo da plataforma; Carlos Reiss, coordenador Geral do Museu do Holocausto de Curitiba, falou sobre a importância da educação para o conhecimento do Holocausto; Alexandre Pacheco, professor da FGV, falou sobre a conceituação jurídica do discurso de ódio.


CONIB reforça necessidade de estratégia estruturada contra o antissemitismo em encontro em Brasília

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) participou nesta quinta-feira (16/4) do seminário “Enfrentamento ao Antissemitismo”, promovido pelo governo federal na sede do Itamaraty, em Brasília.

Durante o evento, o presidente da CONIB, Claudio Lottenberg, destacou os dados do Relatório Antissemitismo no Brasil 2025 da Conib. Eles mostram que, desde o ataque terrorista do Hamas contra Israel, em 7/10/2023, os ataques antissemitas no Brasil cresceram de forma exponencial e se mantiveram em patamar elevado desde então.

“Em 2025, foram registradas ao menos 989 ocorrências antissemitas no Brasil. Isso equivale a quase 3 casos por dia e representa um patamar 149,1% superior ao de 2022, sinal claro de que não estamos diante de episódios isolados, mas de uma hostilidade estrutural”, disse Claudio Lottenberg. “Cada vez que se acentua os ataques contra Israel no Brasil, usando fake news e culpa coletiva, o antissemitismo cresce no nosso país”, disse o presidente da Conib.

Nesse sentido, ele reforçou a importância da adoção de critérios claros para a identificação do fenômeno, destacando a definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, na sigla em inglês) como referência global.

Ao longo do encontro, a CONIB reforçou a necessidade de um enfrentamento ao antissemitismo baseado em três pilares: dados confiáveis, educação e capacidade de resposta institucional. “O enfrentamento ao antissemitismo exige mais do que reação. Exige estratégia. E isso começa tendo clareza sobre o que estamos enfrentando”, declarou ele.

A participação da Conib no evento ocorre com independência institucional e dentro do compromisso com sua missão de combater o antissemitismo no Brasil, incluindo sua forma contemporânea de demonização do Estado de Israel e de seus apoiadores.

“A presença da CONIB nesses espaços é uma responsabilidade enorme. Trata-se de garantir que a comunidade judaica brasileira esteja representada nos fóruns relevantes e que essas discussões e decisões sejam informadas por dados e experiência concreta”, disse Claudio Lottenberg.

A Conib atuará agora para que o evento em Brasília produza desdobramentos práticos e efetivos no combate ao antissemitismo no Brasil.


Parceria GDF-CONIB fortalece proteção à comunidade judaica e ações de enfrentamento ao discurso de ódio

Em tempos em que a intolerância ainda insiste em se manifestar, cada gesto de cooperação em defesa da dignidade humana representa um passo firme na construção de uma sociedade mais justa. Foi com esse espírito que a Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF) firmou um Protocolo de Intenções com a Confederação Israelita do Brasil, fortalecendo o compromisso coletivo com o enfrentamento do discurso de ódio e com a proteção da comunidade judaica no Distrito Federal.

O documento foi assinado pelo secretário-executivo da Sejus-DF, Jaime Santana de Sousa, e, representando a CONIB, o diretor executivo da instituição, Sergio Napchan. Também participaram da assinatura o subsecretário de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial (Subdhir/Sejus), Juvenal Araújo, e Clarita Maia, consultora legislativa do Senado e presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/DF.

Sergio Napchan destacou a importância da formalização da cooperação. “A assinatura do termo de cooperação técnica entre a CONIB e o Governo do Distrito Federal reforça um compromisso comum com a defesa da democracia e com o enfrentamento firme ao extremismo. A regulamentação desta lei é um passo essencial para transformar princípios constitucionais em instrumentos concretos de proteção da dignidade humana e de prevenção ao discurso de ódio”, pontuou.

Para o secretário-executivo Jaime Santana a iniciativa fortalece o papel institucional do DF na promoção de direitos. “Este protocolo representa um avanço na articulação entre o poder público e a sociedade civil organizada. Ao unir esforços com a CONIB, reforçamos o compromisso do Governo do Distrito Federal com a defesa da democracia e com o enfrentamento firme a todas as formas de intolerância”.

Entre as iniciativas previstas estão estudos, debates, seminários e audiências públicas que buscam ampliar o conhecimento, estimular a reflexão e promover soluções concretas para prevenir manifestações extremistas e discriminatórias.

A vigência do protocolo, prevista para dois anos e passível de prorrogação, abre caminho para uma agenda contínua de cooperação. Cada seminário realizado, cada debate promovido e cada ação conjunta será uma oportunidade de fortalecer pontes entre diferentes comunidades e reafirmar que o respeito à diversidade é um dos pilares de uma sociedade verdadeiramente democrática.

No Distrito Federal, a Sejus-DF é a pasta responsável por coordenar e executar políticas públicas voltadas à promoção da igualdade e ao enfrentamento de todas as formas de discriminação. A atuação é conduzida, principalmente, por meio da Subsecretaria de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial (Subdhir), que desenvolve ações de prevenção e combate ao racismo, à intolerância religiosa, ao antissemitismo e ao discurso de ódio.