HANSENÍASE | Glorinha Cohen

HANSENÍASE

319_saude_5_1A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. É uma das enfermidades mais antigas do mundo, sendo conhecida desde os tempos bíblicos como lepra, termo substituído por hanseníase em 1976. O termo hanseníase faz referência ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que identificou,em 1873, este bacilo como o causador da lepra. O M. leprae ataca a pele e os nervos periféricos, mas pode afetar, também, órgãos como o fígado, os testículos e os olhos.


Neste artigo:

-O que é

-Sintomas

-Transmissão

-Tratamento

-Prevenção

-Hanseníase no Brasil

-Referências


O que é

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. É uma das enfermidades mais antigas do mundo, sendo conhecida desde os tempos bíblicos como lepra, termo substituído por hanseníase em 1976. O termo hanseníase faz referência ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que identificou,em 1873, este bacilo como o causador da lepra. O M. leprae ataca a pele e os nervos periféricos, mas pode afetar, também, órgãos como o fígado, os testículos e os olhos.

Pesquisadores do tema divergem sobre o local de origem da doença: alguns defendem que a hanseníase surgiu na África, enquanto outros acreditam que ela se originou na Ásia. Com as cruzadas e a expansão marítima, a doença se disseminou pelo mundo. Na Europa Medieval, existiam cerca de 20.000 doentes, também conhecidos como lazarentos. Nesse período, essas pessoas eram excluídas da sociedade, tendo que se manterem afastadas das pessoas saudáveis.

Para fins de tratamento, a hanseníase é classificada em duas formas: Paucibacilar, quanto ocorrem até cinco lesões na pele; e Multibacilar, quando ocorrem mais de cinco lesões na pele.

Sintomas

O período de incubação do bacilo varia entre três e cinco anos, sendo seus principais sintomas:

• Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade;

• Área de pele seca e com falta de suor;

• Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;

• Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade ao calor, dor e tato. A pessoa se queima ou machuca sem perceber;

• Sensação de formigamento;

• Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés;

• Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;

• Úlceras de pernas e pés;

• Nódulos no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;

• Febre, edemas e dor nas juntas;

• Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;

• Ressecamento nos olhos;

• Locais do corpo com maior predisposição para o surgimento das manchas: mãos, pés, face, costas, nádegas e pernas;

Com o avanço da doença, o número de manchas ou o tamanho das já existentes aumenta e os nervos ficam comprometidos, o que pode causar deformações em regiões como nariz e dedos, e dificultar a realização de determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos. Além disso, a doença pode acarretar em acidentes, devido à falta de sensibilidade nessas regiões. É importante destacar que, em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas.

Transmissão

A hanseníase não é uma doença hereditária, sendo que sua transmissão ocorre no contato com a pessoa doente. O bacilo de Hansen tem a capacidade de infectar grande número de pessoas, mas não são todas que desenvolvem a doença, já que a maioria tem anticorpos capazes de suprimir a contaminação.

Quando o doente com hanseníase está sem tratamento, ele elimina o bacilo através das vias respiratórias, como secreções nasais, tosses e espirros. Por isso, ambientes fechados representam perigo.

Uma vez o paciente estando em tratamento, ele deixa de transmitir a doença, podendo trabalhar, se relacionar com amigos e familiares e manter relações sexuais com seu parceiro ou parceira.

Tratamento

No Brasil, o tratamento da hanseníase é fornecido gratuitamente pelo governo através do Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico precoce é fundamental para o bom desenrolar do tratamento, que recebe o nome de poliquimioterapia (PQT), sendo composto por dois ou três medicamentos, de acordo com os sintomas e a forma clínica da doença.

Se o paciente for diagnosticado com a forma paucibacilar da doença, são utilizados dois tipos medicamentos durante seis meses. Já aqueles diagnosticados com a forma multibacilar da hanseníase, fazem um tratamento à base de três medicamentos por um período de tempo que varia entre 12 e 24 meses.

O tratamento é seguro e apresenta ótimos resultados, mas deve ser realizado sob supervisão médica regular.

Prevenção

Não existe uma forma especifica para prevenção da hanseníase, mas a adoção de algumas medidas pode evitar o surgimento de novos casos. A primeira ação é vacinar as crianças com a BCG, que é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Observar o corpo e procurar o serviço de saúde ao notar alguma macha suspeita é fundamental para o diagnóstico e o tratamento precoces. As pessoas que residem ou mantêm contato direto com a pessoa infectada nos cinco anos anteriores ao diagnóstico devem, também, ser examinadas para a doença. Evitar locais fechados também ajuda na prevenção.

Hanseníase no Brasil

Os indígenas brasileiros pré-descobrimento não sofriam com a hanseníase. Pesquisadores acreditam que a doença entrou no país com os primeiros colonizadores portugueses e com os escravos africanos.

No Brasil, os primeiros casos da doença foram notificados no ano de 1600, na cidade do Rio de Janeiro onde, anos mais tarde, seria criado o primeiro lazareto (local destinado a abrigar os doentes com hanseníase). Após esses primeiros registros, foram identificados focos da doença na Bahia e no Pará, que se espalharam por todo país à medida que ocorreram as migrações para o interior.

As medidas para controle da doença no Brasil evoluíram conforme os séculos. No século XVIII, por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro e no Estado do Pará os doentes eram obrigados, por lei, a se isolarem da sociedade. No século XIX, eles eram proibidos de exercerem algumas profissões. Foi nessa época, também, que surgiram os hospitais-colônias, que ofereciam um tratamento humanitário aos doentes.

No início do século XX, o médico sanitarista Emílio Ribas começou a destacar a importância de se tratar a hanseníase com rigor cientifico e de se adotar medidas de profilaxia, entre essas, a separação dos filhos recém-nascidos saudáveis dos pais doentes. Por volta de 1916, foi instituída, na cidade do Rio de Janeiro, a Comissão de Profilaxia da Lepra, e em 1920, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública, que instituiu a Inspetoria de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, que foi extinta em 1934.

Na década de 1940 foram criados os dispensários, serviços ambulatoriais para a investigação de novos casos e observação de casos suspeitos. Em 1954, foi revogada a lei da internação compulsória, que obrigava todos os doentes a se isolarem em hospitais-colônias. A partir da década de 1960, ocorreram modificações nos métodos profiláticos e nas políticas de controle no atendimento e aumento da cobertura populacional, tratamento ambulatorial com sulfona, controle de comunicantes e educação sanitária.

Na década de 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a poliquimioterapia (PQT), com esquema terapêutico apropriado a cada forma clínica da doença, para o controle e cura da hanseníase. Além disso, foram adotadas medidas de diagnóstico precoce, vigilância dos casos suspeitos, medidas educativas, prevenção e tratamento das incapacidades físicas que a doença acarreta. Tais medidas são adotadas até hoje.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2011, foram registrados 33.955 casos novos. O coeficiente geral de detecção em 2011, 17,65 por 100 mil habitantes, é considerado médio, concentrando-se em estados da região Norte e Centro-Oeste e em algumas regiões metropolitanas do Nordeste.

A detecção de casos está apresentando uma redução média de 4% ao ano, sendo que na primeira década do século XXI vem ocorrendo redução da carga de hanseníase no Brasil, expressa pela redução dos números de doentes em tratamento e de casos diagnosticados com lesões incapacitantes de grau II.

Referências

Boa Saúde

Bibliomed

Portal da Saúde – Ministério da Saúde

ARAÚJO, Marcelo Grossi. Hanseníase no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 36(3):373-382, mai-jun, 2003.

EIDT, Letícia Maria. Breve história da hanseníase: sua expansão do mundo para as Américas, o Brasil e o Rio Grande do Sul e sua trajetória na saúde pública brasileira. Saúde e Sociedade v.13, n.2, p.76-88, maio-ago 2004.

FOSS, Norma Tiraboschi. Hanseníase: aspectos clínicos, imunológicos e terapêuticos. Anais Brasileiros de Dermatologia. Rio de Janeiro, 74(2):113119, 1999.

OLIVEIRA, Maria Helena Pessini de. ROMANELLI, Geraldo. Os efeitos da hanseníase em homens e mulheres: um estudo de gênero. Cad. Saúde Pública., Rio de Janeiro, 14(1):51-60, jan-mar, 1998.

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