ELIAHU HASKY: O RABINO BRASILEIRO, DE FAMÍLIA ÁRABE, QUE FAZ SUCESSO NA INTERNET

333_especial_4_1

Ele promove palestras no RJ de 13 a 19 de maio, e em SP, de 19 a 28 de maio.

Eliahu Hasky, conhecido em português como Fábio, é um rabino diferente dos demais. De família egípcia que, ao mesmo tempo, fala árabe e são judeus, Hasky cresceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, mas se mudou para Israel aos 19 anos. “Saí da Tijuca, mas a Tijuca nunca saiu de mim. Amo o jeito tijucano leve e irreverente, falando com todos na rua e sendo um ser humano mais humilde”, conta Eliahu.

Atualmente morando em Jerusalém, onde se tornou rabino, Eliahu Hasky é professor em Yeshiva e Midrasha, centros de estudos judaicos para homens e mulheres, respectivamente. O rabino trabalha com jovens para vivenciar um intercâmbio de vida em Israel com trabalho, estudo, exército e outras atividades.

Aos 31 anos, ele possui também um projeto bem grande nas redes sociais, chamado ‘Torah Com Você’. Criado em 2017 no Youtube, o canal possui mais de 33 mil inscritos, se tornando o que mais cresce em toda a América Latina no que se refere a temas judaicos. Além disso, já são 21 mil likes no Facebook e 20 mil seguidores no Instagram.

Eliahu Hasky possui especialidade nos temas: Cabala, sonhos, numerologia judaica, astrologia judaica, meditação judaica, conceitos da alma, orientação familiar e de casal e desenvolvimento pessoal avançado. “Eu tenho um jeito muito leve de me comunicar com o público, através de brincadeiras e humor. Procuro passar a verdade na hora de ensinar, mesmo quando possa acomodar. Acredito que a transformação dos meus alunos e seguidores com a verdade não deve priorizar a zona de conforto”, explica Hasky.

O rabino também tem um projeto de caridade da qual ajuda centenas de pessoas necessitadas. “Acredito que o Judaísmo e seus ensinos podem ser benéficos para todos, sem exceção”, conclui. No Youtube, Eliahu dá aulas ao vivo às quartas e aos domingos, sempre às 22h.

Para saber mais, leia abaixo a entrevista especialmente concedida a este portal.


- Há quanto tempo você não vem ao Brasil? Qual a sua expectativa?

EH – Há 8 anos que não vou ao Brasil. Antes de tudo, matar a saudade do País aonde eu nasci, me emocionar ao ver lugares aonde passei minha infância, ver familiares e principalmente viver a minha conexão com alunos e seguidores no mundo real, bem de perto, pois até agora foi somente pelo mundo virtual.

- O que é cabala?

EH – Cabala em sua tradução significa “recebimento” oque faz alusão à todos os segredos da nossa Torah, passado oralmente desde o Monte Sinai, com Moisés recebendo a Torah de D’us e passando de geração em geração até ser escrito por um grande sábio chamado Rabi Shimon Bar Iochai há em média 2 mil anos atrás. Na Cabala é contida todos os segredos da criação do universo, códigos da Torah, nomes sagrados e explicações que revelam a essência do Criador. É algo sublime e único que precisa de muita preparação e um Rabino para orientação. Infelizmente o nome “Cabala” é utilizado por muitas pessoas de má fé que querem receber o status de Cabalista quando nem se quer conhecem o básico do judaísmo.

- Fale um pouco sobre numerologia Judaica. Existe diferença da Judaica para brasileira?

EH – Sim. A diferença já começa que a numerologia judaica é representada por cada letra do alfabeto hebraico, tendo cada uma delas, o seu valor numérico. Além disso, existem várias equações diferentes que usamos para saber melhor sobre cada pessoa como: personalidade, facilidades, tendências e muitos outros detalhes sobre a vida pessoal de cada um.

- Em seus vídeos no youtube você fala de vários assuntos, dentre eles conquistando a felicidade plena. Qual é a felicidade plena na sua visão?

EH – A felicidade plena para muitos é o objetivo da vida, porém no judaísmo não é bem assim. A felicidade plena é um status que devemos alcançar não só como objetivo e sim também como ferramenta para cumprirmos os mandamentos da Torah com devoção, alegria e amor, e em especial no que se diz respeito a relação com o próximo, aprendendo assim a agir sempre com compaixão, paciência e doçura, construindo assim um mundo melhor para todos.

Não se importar com a dor alheia é um dos fenômenos mais baixos do ser humano

e precisa ser combatido com toda força.

- Você nasceu no Brasil e está em Israel há mais de 20 anos e acabou se tornando Rabino. O que te influenciou a ser Rabino?

EH – Com 17 anos e ainda nada religioso, comecei a reparar o mundo que nós vivemos e via muita dor, sofrimento, falta de amor, famílias destruídas e muitas pessoas perdidas na vida. Tudo isso me chocou pois eu também fazia parte disso, me sentia vazio e fraco para enfrentar uma vida que eu nem se quer sabia o porquê estava nela. A partir daí me aproximei do judaísmo, li muitos livros, mantive contato forte com sinagogas e decidi ir para Israel, aonde estudei vários anos e decidi me tornar Rabino.

- Na sua opinião, existe diferença no relacionamento judaico com o brasileiro? Qual?

EH – Com certeza. A primeira coisa é a importância que ambos dão em colocar D’us em suas vidas, em seguida vejo que ambos são calorosos e dão ênfase a uma relação doce e amorosa. Fora isso ambas as sociedades são preenchidas de pessoas mais extrovertidas e que expõem os problemas em suas conversas do dia a dia, dando sempre a oportunidade de se resolver os incômodos na relação. Isso é uma dádiva que não se vê em todo País.

- O tema refugiado está sendo muito comentando e vivido, virando até novela. O que você acha disso?

EH – Acredito que é um tema de importância ímpar. A Torah nos ordena a sermos bondosos com os estrangeiros, pois fomos estrangeiros no Egito antigo e lá sofremos muito. Passar por guerra, fome, doença e sofrimento precisam despertar de imediato em nossos corações ações como amor e compaixão. Não se importar com a dor alheia é um dos fenômenos mais baixos do ser humano e precisa ser combatido com toda força.

- O que vem a ser o projeto “Torah com Você?

EH – É um projeto que visa trazer espiritualidade judaica, conexão com D’us de forma doce e verdadeira. Tudo isso através de centenas de aulas sobre temas judaicos profundos, orientação grupal e pessoal, aplicativo, redes sociais e muito trabalho envolvendo ensinamento e caridade com aqueles que não podem adquirir acessórios judaicos. O mais legal de tudo isso é que não só judeus assistem cada vez mais, bem como não judeus que querem saber seu objetivo no mundo e procuram ter uma vida elevada na visão judaica.

- Como foi para você se acostumar em Israel, após morar 19 anos no Brasil. O que mais você sentiu falta?

EH – O mais difícil para me acostumar no começo em Israel era lidar com o jeito direto do israelense. O israelense é direto, sem papas na língua e ao mesmo tempo te trata como um irmão e com intimidade. Isso me trazia confusão e demorei muito a pegar o jeito da sociedade. Do Brasil sinto falta da comida, infância calorosa que tive no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro que foi baseado em muita brincadeira na rua, respeito e alegria. O Brasil é um País abençoado e sempre buscou boas relações com os judeus e Israel e isso me oferece muito orgulho.

- Conta um pouco sobre sua família, que fiquei sabendo que é uma mistura?

EH – Minha família é bem interessante, pois parte veio do Egito, outra parte da Síria e ainda do Marrocos. Como toda família judaica, rodou o mundo a fora buscando uma vida tranquila e sem perseguição. Houve cabalistas grandes na minha família e quando falo que minha família é judia e ao mesmo tempo de países e língua árabe, isso dá um nó na cabeça de muita gente.

- O que fez você virar rabino? Estudou muito?

EH – Estudei seis anos em diferentes Yeshivot (centro de estudos judaicos para homens), casei com uma menina que conheço desde meus 3 anos de idade do colégio Talmud Torah do Rio de Janeiro, e continuei a estudar em Yeshiva. Mesmo sendo rabino, dando aula em diferentes lugares e tendo esse projeto, acredito que o segredo do sucesso é nunca parar de estudar e crescer espiritualmente, pois só assim é possível ajudar a tantas pessoas que cada vez mais procuram ajuda.