Os 50 anos da  UTI do Hospital Israelita Albert Einstein – Por Glorinha Cohen

“A criação de uma UTI moderna, com protocolos rígidos e equipamentos de ponta,

permitiu ao Einstein conquistar o protagonismo que tem hoje

no tratamento de alta complexidade”

Seminário da Folha de S. Paulo

A trajetória de excelência e as contribuições do Hospital Israelita Albert Einstein para o desenvolvimento da área da saúde foram trazidas à tona durante evento comemorativo dos 50 anos da sua UTI – Unidade de Terapia Intensiva, seguido de seminário com a Folha de S. Paulo que reuniu especialistas para debater avanços e perspectivas para o futuro.

Uma das pioneiras no país, a UTI do Hospital Israelita Albert Einstein foi inaugurada em 1972 com apenas quatro leitos de cuidado intensivo e seis de semi-intensivo, inovando ao formar equipes multiprofissionais especialmente para o setor, humanizar o cuidado com o paciente, criar inúmeros protocolos e condutas e investir em tecnologia. Também foi a primeira UTI a ter psicólogos, farmacêuticos clínicos e fisioterapeutas dedicados.

À frente deste então novo desafio, crucial para cuidar pacientes de alta complexidade, estava o renomado cardiologista Elias Knobel, que estruturou e chefiou a UTI por 32 anos (até 2004). Hoje, o Einstein administra 100 leitos de UTI nos dois hospitais públicos que gerencia em São Paulo e mais 40 no HMAP (hospital público de Goiânia). No total, entre públicos e privados, são 290 leitos de UTI e semi-intensiva.

Drs. Claudio Lottenberg, Elias Knobel e Sidney Klajner

“A UTI era chamada de corredor da morte. Fizemos todo um trabalho para quebrar esse tabu e transformar a UTI em corredor da vida”, disse o Dr. Elias Knobel. E ele não poderia ter sido mais bem sucedido: hoje, 95% dos pacientes têm alta e a média de tempo de internação gira em torno de três dias – no seu início, a UTI do Morumbi mandava para casa, saudáveis, somente 35% dos pacientes graves.

Mas as dificuldades não paravam aí. “Há 50 anos, não era fácil sensibilizar médicos para que direcionassem suas carreiras para um hospital novo, numa região distante da cidade, e o convite a médicos jovens e promissores foi um passo importante. Com o tempo, a UTI se transformou em geradora de lideranças”, afirma o o Dr. Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

“O segundo acerto foi criar e investir em uma infraestrutura tecnológica, em um tempo em que tecnologia não era um grande diferencial. Em um país com as nossas dimensões, podemos até ter a infraestrutura física de UTI, mas a parte humana não é simples. É preciso dar suporte para os profissionais que estão nas diferentes localidades, e nossas iniciativas digitais, que já existem há mais de 10 anos, são fundamentais para isso”, acrescenta ele.

“A criação de uma UTI moderna, com protocolos rígidos e equipamentos de ponta, permitiu ao Einstein conquistar o protagonismo que tem hoje no tratamento de alta complexidade”, completa o Dr. Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein”.

Outros diferenciais tornam a UTI do Einstein ponto de referência e a coloca entre as mais importantes e humanizadas do país, dentre os quais o fato de que, há mais de 15 anos, não existe horário de visita na UTI e o paciente pode ter a companhia de familiares 24 horas por dia.

E que dizer, então, do programa de Tele-UTI que permite visitas remotas de médicos e intensivistas e a disseminação de conhecimento para vários hospitais pelo país? Em 2019, foi criada a Rede Einstein de Pacientes Graves, plataforma que leva padrões de qualidade do Einstein às UTIs do sistema público, ao permitir o acesso aos protocolos de cuidados para pacientes de alta complexidade.

Aqui não podemos deixar de ressaltar que a Tele-UTI do Einstein foi fundamental na pandemia e ajudou a salvar vidas de pacientes do SUS em 80 hospitais de todo o país e ainda segue auxiliando a transformar a qualidade e os cuidados de pacientes críticos. A expectativa do Einstein é ter, até 2023, cerca de 800 leitos de Tele-UTI espalhados por hospitais da rede pública de todas as regiões do Brasil.

“A Rede Einstein de Pacientes Graves, estruturada um ano antes da pandemia, permite que todas as unidades hospitalares gerenciadas por nós, públicas ou privadas, mantenham um alinhamento de padrões e governança clínica por meio uma plataforma única, com o compartilhamento de tecnologias, processos e procedimentos médicos. Temos, inclusive, metas conjuntas para todas as unidades. Com isso, podemos atuar praticamente como uma UTI única”, explica o Dr. Sidney Klajner.

Mas como será a UTI do futuro?

Tecnologias como inteligência artificial, aprendizado de máquina e realidade aumentada devem transformar ainda mais as UTIs. Essas informações irão alimentar sistemas e algoritmos de inteligência artificial que conseguirão não só dar suporte à tomada de decisão como predizer o futuro, permitindo aos médicos atuar antes que problemas aconteçam, personalizar tratamentos e compartilhar conhecimento.

Na Central de Monitoramento Assistencial Einstein, profissionais observam mais de 150 indicadores extraídos do prontuário eletrônico do paciente. Quando algo sai fora do padrão, um alerta é emitido, e os profissionais à beira do leito na UTI são informados.

Outras inovações já colocadas em prática, como a telemedicina, permitem que médicos especialistas do hospital se conectem diariamente com outras UTIs para definir em conjunto um plano terapêutico e de cuidados para cada paciente.

Esse olhar permanente para o futuro faz parte da história do Einstein, que tem em seu DNA o incentivo à formação profissional e à pesquisa.

História das UTIs

Meio século atrás, pacientes que sofriam um infarto grave recebiam os primeiros cuidados e ficavam internados em quartos de hospitais. Muitos apresentavam arritmias e não sobreviviam. Com o objetivo de mudar este cenário, surgiram as primeiras unidades coronarianas, que monitoravam os pacientes para reverter as arritmias e outras intercorrências.

No início dos anos 70, surgiram as UTIs já com esse nome e passaram a receber também pacientes submetidos a grandes cirurgias e aqueles com doenças graves, que demandavam mais assistência. Contavam com vigilância integral de médicos e enfermeiros à beira do leito.

Com o passar dos anos, as UTIs foram evoluindo e ajudaram a disseminar para outras partes dos hospitais condutas de cuidados e segurança dos pacientes, governança clínica e protocolos rígidos.

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