ESTÍMULO AO MOVIMENTO NA ROTINA DIÁRIA AJUDA A PREVENIR O SEDENTARISMO INFANTIL

Especialista aponta que a inserção de brincadeiras e atividades dinâmicas no dia a dia é o caminho mais eficaz para combater o isolamento e o excesso de telas entre os pequenos

O bem-estar na infância está relacionado a muitos fatores, entre eles a prática de atividades físicas, importante para evitar riscos de doenças crônicas, como diabetes e obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes façam, em média, pelo menos 60 minutos por dia de exercícios moderados a vigorosos.

Sedentarismo pode causar impactos preocupantes no desenvolvimento emocional, social e cognitivo de crianças e adolescentes, conforme explica a psicopedagoga Paula Furtado. “Na infância, o movimento influencia diretamente no desenvolvimento motor, emocional e cognitivo. Já na adolescência, o sedentarismo pode aumentar sinais emocionais associados a comportamentos como isolamento, ansiedade e desânimo”.

A falta de estímulo corporal prejudica a atenção, a aprendizagem, a autoestima e até a capacidade de socialização, já que brincar, correr e explorar diferentes vivências ajudam a criança a descarregar tensões, compreender limites e se relacionar com o mundo ao seu redor.

O tempo excessivo gasto com dispositivos eletrônicos também contribuem para o sedentarismo, pois acabam se tornando um vício para as crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda evitar o uso de telas antes dos dois anos de idade e restringir seu uso de acordo com a faixa etária, sempre sob supervisão. “O ideal é encontrar um equilíbrio entre tempo, conteúdo, pausas e atividade física”, orienta.

A ausência de exercício ainda pode afetar a saúde mental das crianças e dos adolescentes e, por isso, pais e educadores devem ficar atentos a esses sinais: irritabilidade, isolamento, cansaço constante, falta de interesse por brincar, queda na atenção, menor rendimento escolar, dificuldade para dormir, aumento da ansiedade, resistência a sair de casa e dependência excessiva das telas.

Barreiras e estratégias para uma geração menos sedentária

Paula pontua que uma criança ativa não é apenas uma criança que pratica esporte. Mas sim aquela que brinca, explora, corre, dança, sobe, desce, cria e participa da vida. “O corpo também aprende e, muitas vezes, é pelo corpo que a criança organiza suas emoções”, ressalta.

Entretanto, ela acredita que a falta de tempo, a insegurança nas ruas, o excesso de tarefas diárias, rotina dos pais, poucos espaços acessíveis para o lazer e o uso das telas como “babá digital” têm contribuído de maneira significativa para o sedentarismo entre as crianças. “Não é só uma escolha individual; também é uma questão social”, enfatiza Paula.

As escolas também têm um papel fundamental na luta contra a inatividade física entre crianças e adolescentes, especialmente por meio de projetos implementados não como uma obrigação, mas como uma forma de incentivar o prazer pelo movimento de maneira leve e acolhedora. “Programas escolares, como clubes de caminhada, dança, jogos cooperativos, recreios ativos, hortas educativas, circuitos motores e desafios coletivos, contribuem para fomentar uma maior interação entre os estudantes e a formação de hábitos mais saudáveis”, explica.

E, em casa, na companhia de um adulto, é importante estabelecer combinações claras e opções viáveis como frequentar parques em horários seguros, participar de atividades em grupo, realizar caminhadas e brincadeiras dentro de condomínios, clubes ou caminhadas em família. “Essas ações não apenas combatem o sedentarismo, mas também ampliam as oportunidades de convívio e interação”, conclui a profissional.

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância. A especialista em educação exerceu a função de coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com Girassol Brasil e MSP Estúdios.

@paulafurtadopf