O VERDADEIRO PARADOXO JUDAICO – POR RABINO ELIYAHU E RIVKY ROSENFELD

A Torá espera que sejamos humildes o suficiente para continuar aprendendo, mas fortes o suficiente para ocupar o lugar que D’us espera de nós no mundo. Talvez uma das maiores lições da vida seja justamente aprender a carregar os dois lados juntos: ter a humildade de um deserto para ouvir e crescer, mas também a coragem de lembrar que a nossa presença faz diferença e que cada um de nós possui uma missão única e indispensável.

Estamos constantemente equilibrando extremos: comer bolo de chocolate ou se cuidar, falar o que pensa ou perceber que o silêncio também tem força. Mas a Torá, na parashá de Bamidbar, traz um paradoxo bem profundo, porque ele não fala apenas sobre escolhas do dia a dia, e sim sobre quem devemos ser.

Bamidbar significa “no deserto” e este é o cenário que a parashá vem nos descrever, sobretudo antes de Shavuot, a festa do recebimento da Torá no Monte Sinai. Isso não é coincidência. Para receber a Torá, a pessoa precisa se tornar um deserto: menos cheia de ego, mais aberta para ouvir, aprender e absorver algo maior do que ela mesma. A aridez representa humildade, silêncio interno e a capacidade de dar espaço para algo verdadeiro entrar.

Mas, ao mesmo tempo, a própria parashá começa com um censo, quando D’us manda contar cada judeu individualmente. Não por riqueza, inteligência ou status, mas simplesmente por existir. A mensagem é forte: cada pessoa importa e possui valor infinito, tendo uma missão única que ninguém mais pode cumprir da mesma forma. E aqui aparece o grande paradoxo judaico: ao mesmo tempo em que precisamos aprender a não viver centrados no próprio ego, também não podemos viver pequenos, apagados ou inseguros.

Humildade não significa diminuir o próprio valor e, reconhecer o próprio valor, não é arrogância. A Torá espera que sejamos humildes o suficiente para continuar aprendendo, mas fortes o suficiente para ocupar o lugar que D’us espera de nós no mundo. Talvez uma das maiores lições da vida seja justamente aprender a carregar os dois lados juntos: ter a humildade de um deserto para ouvir e crescer, mas também a coragem de lembrar que a nossa presença faz diferença e que cada um de nós possui uma missão única e indispensável.

Que possamos sempre encher nossos corações de humildade para termos a força de viver uma vida com propósito.

Shalom!

Nota: imagem gerada pela IA