OS RISCOS DE NÃO SE POSICIONAR – POR SERGIO SKARBNIK
Vivemos em uma época marcada por um paradoxo. Nunca foi tão fácil expressar opiniões e, ao mesmo tempo, nunca tantas pessoas tiveram receio de manifestar aquilo em que realmente acreditam. Em um ambiente dominado pela polarização, pela exposição permanente e pelo julgamento instantâneo, o silêncio passou a ser confundido com prudência. Mas nem todo silêncio é sabedoria. Muitas vezes, ele é apenas o reflexo do medo.
Não se posicionar pode evitar conflitos imediatos, porém dificilmente evita suas consequências. A omissão prolongada cobra um preço silencioso: enfraquece a identidade, reduz a autenticidade e faz com que, pouco a pouco, a pessoa deixe de conduzir a própria vida para ser conduzida pelas expectativas, interesses e convicções dos outros.
Há momentos em que o silêncio preserva. Mas há outros em que ele legitima. A história mostra que muitas injustiças não prosperaram apenas pela ação daqueles que as praticaram, mas também pela ausência de posicionamento daqueles que poderiam ter feito a diferença. A neutralidade, em determinadas circunstâncias, deixa de ser equilíbrio para tornar-se cumplicidade passiva.
No ambiente profissional, o posicionamento também revela caráter. Líderes que evitam decisões difíceis ou empresas que se calam diante de questões éticas podem preservar a tranquilidade no curto prazo, mas comprometem a confiança construída ao longo do tempo. Credibilidade nasce da coerência entre valores, discurso e atitudes.
Nas relações humanas acontece algo semelhante. Pessoas excessivamente preocupadas em agradar a todos frequentemente acabam não sendo conhecidas por ninguém. Quem molda permanentemente suas opiniões para evitar desagradar perde aquilo que possui de mais valioso: sua individualidade. A busca permanente por aceitação pode transformar a autenticidade em uma concessão contínua.
Posicionar-se, entretanto, não significa adotar posturas radicais nem acreditar que se é dono da verdade. Significa reconhecer que convicções podem ser expressas com respeito, humildade e abertura ao diálogo. A firmeza de caráter não está em falar mais alto, mas em manter coerência entre aquilo que se pensa, aquilo que se diz e aquilo que se faz.
Vivemos em uma sociedade que valoriza cada vez mais a imagem e, paradoxalmente, necessita desesperadamente de autenticidade. O posicionamento responsável não divide necessariamente as pessoas; muitas vezes, ele apenas torna visíveis as diferenças que já existiam. E somente quando elas se tornam visíveis é possível construir diálogo verdadeiro, respeito mútuo e evolução coletiva.
Talvez o maior risco de não se posicionar não seja perder oportunidades, reconhecimento ou liderança. O maior risco é perder, lentamente, a capacidade de reconhecer a si mesmo.
Porque, em determinados momentos da vida, permanecer em silêncio também é uma escolha. E toda escolha, inclusive a de não escolher, sempre produz consequências.
SERGIO SKARBNIK
Mestre em Economia e MBA, Sergio Skarbnik escreve desde os 14 anos. Já trabalhou no Brasil e no exterior em diferentes e importantes setores da economia e aos 26 anos foi diretor de um dos maiores bancos privados do Brasil. Também exerceu o cargo de professor universitário e proferiu palestras em diversos países, dentre os quais o Brasil, Estados Unidos e Israel









